quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Uma Prosa Sobre Versos - Setembro/2010

No dia 10 de setembro, às 19h30mim, no Auditório Municipal de Maracás, acontecerá a sexta edição do Projeto Uma Prosa Sobre Versos, Ano III. Desta vez, a poeta amazonense Astrid Cabral será a homenageada. Haverá um momento musical com Danilo Dourado (da cidade de Itiruçu-BA) e, logo após, um recital do Grupo Concriz.

O Projeto acontece com esse mesmo formato em Maracás, desde 2008, e tem crescido a cada ano. A presença predominante na plateia é de estudantes do Ensino Médio e pessoas da comunidade.

A entrada é franca.




Clique na imagem acima para vê-la ampliada.

BIOGRAFIA DE ASTRID CABRAL


ASTRID CABRAL FÉLIX DE SOUSA nasceu a 25/09/36 em Manaus, AM, onde fez os primeiros estudos e integrou o movimento renovador Clube da Madrugada. Adolescente ainda transferiu-se para o Rio de Janeiro, diplomando-se em Letras Neolatinas na atual UFRJ, e mais tarde como professora de inglês pelo IBEU. Lecionou língua e literatura no ensino médio e na Universidade de Brasília, onde integrou a primeira turma de docentes saindo em 1965 em conseqüência do golpe militar. Em 1968 ingressou por concurso no Itamaraty, tendo servido como Oficial de Chancelaria em Brasília, Beirute, Rio e Chicago. Com a anistia, em 1988 foi reintegrada à UnB. Ao longo de sua vida profissional desempenhou os mais variados trabalhos, fora e dentro da área cultural. Detentora de importantes prêmios, participa de numerosas antologias no Brasil e no exterior. Colabora com assiduidade em jornais e revistas especializadas. Viúva do poeta Afonso Félix de Sousa, é mãe de cinco filhos. (Fonte: Jornal de Poesia, http://www.revista.agulha.nom.br/astridcabral.html#biografia)

POEMAS DE ASTRID CABRAL

Esquartejamento


Vendeu o branco sorriso
à fábrica de dentifrício
a cabeleira basta
a xampu Número Um
o busto farto à marca
de sutiãs de náilon
as axilas depiladas
a desodorantes espreis
ancas e partes pudendas
a firmas de absorventes
e as belas pernas a casas
de meias transparentes.
Depois foi pendurado
nas paredes da cidade
--- pasto de milhões de olhos
que lhe compram os pedaços
ao preço vil do mercado.

Desastres de Amor


Mulher bule de louça
deixa-se pegar pela alça
e verte suor e sangue
em quantia exata.
Dei com o nariz
na porta do teu coração.
Foi sangria desatada
e a porta do pronto-socorro
também encontrei fechada.

Eu disse a meu coração:
Sossega pois tudo passa.
O nada não é perdição
mas estado de graça.

Desde que o mundo é mundo
a sina:
o amor, centelha
que faz o incêndio
e a cinza.

Boca


Boca
livre trânsito
de vocábulos e aves
fruições e frutos.
Boca
sede de gozo e poder
pombos lhe pousam
entre os dentes ávidos
pêssegos se imolam
cindindo-lhe os lábios.
Boca
sítio de martírio
se a contragosto
de fome se fecha
ou em pânico se cala
atrás de uma mordaça.

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SENTIDO

Os homens vinham e havia um caminho.
Continuavam, e o prumo os esperava,
e eles seguiam acreditando nisso:
sempre rumar – sempre sempre sempre.

Os homens nunca chegavam a algum lugar,
mas iam eternamente em busca de,
pois não queriam nem suportariam
entender a verdade do lugar nenhum.

JOSÉ INÁCIO VIEIRA DE MELO