quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

JOSÉ INÁCIO VIEIRA DE MELO E MARIANA IANELLI - ANO NOVO, NOVOS POEMAS

Para começar 2012 bem, poemas de dois poetas que admiramos muito. Esperamos fazer muitos recitais. E viva a poesia!!!
Grupo Concriz

Foto: Ricardo Prado
José Inácio Vieira de Melo e Mariana Ianelli


AURORA


A liberdade do crepúsculo tremula.
Escuto o alarido dos pássaros do Sertão.

Debruço-me no ninho do Cosmo.
Minhas mãos trabalham no vazio.

Minhas mãos trabalham na imensidão.
Longa batalha em busca da beleza.

Da boca dos pássaros, os violões do Sol.
Rezo benditos e grito os nomes da Terra.

Contemplo a mansidão do silêncio que voa.
As minhas sandálias são feitas de aurora.

De meus dedos esplendem labirintos.
Meu caminho é o strip-tease da solidão.


JOSÉ INÁCIO VIEIRA DE MELO


 Foto: Ricardo Prado
 José Inácio Vieira de Melo e Mariana Ianelli


CAMPO DE CASSIANAS


Eterna a tua juventude sobre a mesa
Que abdicou do triunfo sem orgulho
De todos nós que sobrevivemos
A pelo menos um desconsolo mortal.

Eterno o teu corpo adolescente
Se oferecendo num banquete divino,
Sendo envolvido, devorado lentamente,
Atraído por uma forma indestrutível de virtude.

Na tua imagem um sem-fim de sutilezas
Que não se apagam por falta de emoção
Senão o contrário, que abrasam, que fustigam,
Com uma beleza que nunca nos pediu retribuição.

É no mármore o teu busto querendo ser tocado
É no torpor à sombra de uma grande asa
Em um dos bíblicos jardins do oriente
A idade da inocência em que tua vida se calou.

Como a cada ano os lírios, os gladíolos,
Os cravos e os crisântemos, todos brancos,
Também o teu nome rebenta e se multiplica
Num imenso campo mágico de cassianas.


MARIANA IANELLI

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SENTIDO

Os homens vinham e havia um caminho.
Continuavam, e o prumo os esperava,
e eles seguiam acreditando nisso:
sempre rumar – sempre sempre sempre.

Os homens nunca chegavam a algum lugar,
mas iam eternamente em busca de,
pois não queriam nem suportariam
entender a verdade do lugar nenhum.

JOSÉ INÁCIO VIEIRA DE MELO