Para começar 2012 bem, poemas de dois poetas que admiramos muito. Esperamos fazer muitos recitais. E viva a poesia!!!
Grupo Concriz
Foto: Ricardo PradoJosé Inácio Vieira de Melo e Mariana Ianelli
AURORA
A liberdade do crepúsculo tremula.
Escuto o alarido dos pássaros do Sertão.
Debruço-me no ninho do Cosmo.
Minhas mãos trabalham no vazio.
Minhas mãos trabalham na imensidão.
Longa batalha em busca da beleza.
Da boca dos pássaros, os violões do Sol.
Rezo benditos e grito os nomes da Terra.
Contemplo a mansidão do silêncio que voa.
As minhas sandálias são feitas de aurora.
De meus dedos esplendem labirintos.
Meu caminho é o strip-tease da solidão.
JOSÉ INÁCIO VIEIRA DE MELO
CAMPO DE CASSIANAS
Eterna a tua juventude sobre a mesa
Que abdicou do triunfo sem orgulho
De todos nós que sobrevivemos
A pelo menos um desconsolo mortal.
Eterno o teu corpo adolescente
Se oferecendo num banquete divino,
Sendo envolvido, devorado lentamente,
Atraído por uma forma indestrutível de virtude.
Na tua imagem um sem-fim de sutilezas
Que não se apagam por falta de emoção
Senão o contrário, que abrasam, que fustigam,
Com uma beleza que nunca nos pediu retribuição.
É no mármore o teu busto querendo ser tocado
É no torpor à sombra de uma grande asa
Em um dos bíblicos jardins do oriente
A idade da inocência em que tua vida se calou.
Como a cada ano os lírios, os gladíolos,
Os cravos e os crisântemos, todos brancos,
Também o teu nome rebenta e se multiplica
Num imenso campo mágico de cassianas.
MARIANA IANELLI
0 comentários:
Postar um comentário