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sexta-feira, 22 de novembro de 2013

A poesia de Antonio Miranda

Antonio Lisboa Carvalho de Miranda é maranhense nascido em 5 de agosto de 1940. Membro da Academia de Letras do Distrito Federal, foi colaborador de revistas e suplementos literários como o Suplemento Dominical do Jornal do Brasil e também o La Nación (Buenos Aires, Argentina) e Imagen (Caracas, Venezuela).
Professor e ex-coordenador do Programa de Pós-graduação em Ciência da Informação do Departamento de Ciência da Informação e Documentação da Universidade de Brasília, Brasil, ministra aulas e cursos por todo o Brasil e países ibero-americanos. Também é consultor em planejamento e arquitetura de Bibliotecas e Centros de Documentação.
Organizador e primeiro Diretor da Biblioteca Nacional de Brasília, de fev. 2007 a out. de 2011.
Doutor em Ciência da Comunicação (Universidade de São Paulo, 1987), fez mestrado em Biblioteconomia na Loughborough University of Technology, LUT, Inglaterra, 1975. Sua formação em Bibliotecologia é da Universidad Central de Venezuela, UCV, Venezuela, 1970.

Poeta, escritor, dramaturgo e escultor, já publicou romances, poesias e peças para teatro (gênero pelo qual é conhecido lá fora) em vários países. Em 1967, por decisão própria, exilou-se para viver intensamente um período de efervescente agitação cultural na América Latina, dedicando-se à produção literária e artística. Sua criatividade foi reconhecida com prêmios pela crítica internacional (Medellin - Colômbia, San Juan de Puerto Rico). Miranda viveu e publicou em Buenos Aires (Argentina), Caracas (Venezuela), Bogotá (Colômbia) e Londres (Inglaterra). Tu País Está Feliz, peça de teatro estreada em 1971, foi representada em mais de 20 países  e só publicada no Brasil em 1979. 








 O TURISTA


De tênis e bermuda
no salão oval
do velho café portenho,
entre espelhos
castiçais
e candelabros de luz.
O garçom disfarça
e olha para o teto,
com desdém,
depois
recolhe-o e leva-o
para o lixo,
com as migalhas do pão.

domingo, 29 de julho de 2012

A poesia de Lívia Natália

Lívia Maria Natália de Souza Santos nasceu em Salvador – BA em 1979. Filha de Osun, criou-se nas dunas no Abaeté e, segundo a autora, alimentada por Iemanjá, muito se banhou na poética praia de Itapuã. Talvez por isto as águas sejam seu grande tema em Água negra, livro de estreia, ganhador do Concurso Literário do Banco Capital em 2011 Categoria Poesia, e de Correntezas, seu próximo livro de poemas. Consagrada a Osun e Odé no Terreiro Ilê Asé Obanan, a vivência no Candomblé de fundamento Ketu é um dos temas mais fortes de sua escrita, na qual comparecem também temáticas relativas à vivência da mulher negra com seu corpo, cabelos e todos os signos etnicorraciais que atravessam, buscando subverter conceitos e reinventar modos de ser.
Lívia Natália é Mestre (2005) e Doutora (2008) em Teorias e Crítica da Literatura e da Cultura pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atualmente é Professora Adjunta do setor de Teoria da Literatura da UFBA, onde coordena os grupos de pesquisa Derivas da Subjetividade na Escrita Contemporânea, no qual pesquisa literatura contemporânea escrita em Blogues, e Corpus Dissidente: Poéticas da Subalternidade em escritas e estéticas da diferença, no qual se dedica a estudar a Literatura Negra escrita por mulheres no Brasil e nos PALOP, com recorte em gênero, raça e sexualidades.


Além de ensinar disciplinas ligadas ao campo da Teoria da Literatura na UFBA, também coordena e ministra Oficinas de Criação Literária nesta Universidade e em projetos, para crianças em situação de risco. Atualmente, faz formação em Psicanálise Clínica.


Rastro

Somos todos feitos da poeira de estrelas.
Elas apenas tangenciam nossos sonhos
inscrevendo-os na pele do infinito.

O grão de brilho puro
rouba sua luz da memória do sol.
E, em sendo lembrança só,
gira fugidio à orla do céu imenso.

Há, na trama retecida da minha alma,
um ressoar silente como o das estrelas,
a que chamo angústia,
apesar da poeira luminosa e viva
que trago debaixo dos pés.

A poesia de José Geraldo Neres


Autor do livro Olhos de Barro, que recebeu menção especial no 3º Prêmio Gov. de Minas Gerais de Literatura, ficção – 2010, José Geraldo Neres é poeta, ficcionista, roteirista, dramaturgo (com formação em oficinas e cursos de criação textual), produtor e gestor cultural paulista. Publicou os livros de poesia: Pássaros de papel (Dulcinéia Catadora, 2007) e  Outros silêncios (Escrituras Editora, 2009): Publicações em suplementos, revistas literárias no Brasil e exterior, com traduções para Castelhano e Francês. Ministra oficinas literárias, com ênfase em criação literária e estímulo à leitura. Curador do projeto Quinta poética encontros multilinguagens promovidos pela Escrituras Editora e Casa das Rosas – Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura (2010/2012). Diretor da União Brasileira de Escritores – UBE (2012/2013). 


terça-feira, 3 de julho de 2012

A poesia de Iolanda Costa

Iolanda Costa (1967) nasceu em Itabuna-Ba, é professora licenciada em Filosofia pela Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), arte-educadora e especialista em História Regional. Iniciou a divulgação de seus poemas no “Diário de Itabuna” e “Tribuna do Cacau”, no início da  década de 80. Participou da antologia “Poetas Novos da Região Cacaueira” (PACCE), em 1987. É autora de “Cinema: Sedução, Lazer e Entretenimento no Cotidiano Itabunense”, ainda no prelo. Em 2004, lançou seu primeiro livro de poesia, “Poemas Sem Nenhum Cuidado” (FICC) e, em 2009, de maneira independente, “Amarelo Por Dentro”. Ainda em 2009, participa das coletâneas “Poetas Brasileiros Contemporâneos” (CBJE), “Poesia de Corpo e Alma” (CBJE) e “O Que é Que a Bahia Tem” (Litteris). Como poetisa, é convidada, em 2010, para a Praça de Cordel e Poesia na 10ª Bienal do Livro da Bahia. Em 2011, integra a antologia “ENEBI (Encontro de Escritores Baianos Independentes) de Poesia & Prosa”. Atualmente prepara seu próximo livro, provisoriamente intitulado “Poemas de Filosofia Líquida”.

SE

O translúcido verso ido
erra a mão,
erra o frasco,
toma aspirina
e confunde chuva com aspargos.
Tivesse acertado a rima
levaria camomila pela rua,
sais para o lençol.
Um sol, um búzio, um esquadro,
barcarola repetida em teu ouvido.

A poesia de Júlio Lucas

Júlio Lucas, nascido em Paulo Afonso, também costuma se definir soteropolitano por conta do destino, jequieense pela hospitalidade e cosmopolita por ideologia. Tem dois filhos, Caíque e Caio. Escreve desde menino: das letras de rock dos anos 80 para as bandas Sinal Vermelho, Regicídio e Olhos de Poeta (Salvador) às composições do Bando Batida Seca (Paulo Afonso), na década de 90. Mais recentemente participou de parcerias com o cantor e violonista Manno di sousa (radicado em Vitória da Conquista).
Idealista e idealizador de fanzines xerocados em Salvador a jornais no sudoeste baiano, ao mudar-se para Jequié, assumiu a direção do Jornal Actual (2000), a convite do jornalista Wilson Novaes Jr. Em seguida criou o Correio do Interior, primeiro da região em tamanho standard, capa colorida, caderno de cultura e versão online. Também colaborou com os impressos Café com Leite, Novos Tempos e Revista Cidades em Foco. Teve haicais quadrinizados pelo cartunista Edu Santana na revista Come-Comix. Atualmente possui o blog cultural Miscelânea, por Júlio Lucas e é coordenador editorial da revista Muito Mais.
Na TV, foi roteirista e produtor do programa Muito Prazer, Álvaro Guimarães (CNT-Aratu). Desde então dirigiu clipes, documentários e vários vídeos institucionais para prefeituras. Na agência Rush Produções e Publicidades, com Rogério Xavier e Sérgio Guerra, criou diversas campanhas para rádio, TV, impressos e principalmente para veiculação em outdoor, em Paulo Afonso. Na publicidade, trabalhou ainda na agência Moura Marketing e Propaganda.
Radicado em Jequié há mais de uma década, onde é servidor público, exerceu o cargo de diretor de Comunicação Social do Município (2009/2010). Multimídia autodidata, apresenta nas noites de sábado o Tribos do Rock, na 105 FM. Elaborou capas para coletâneas da Academia de Letras de Jequié, a saber, III e IV Concursos Literários da ALJ: Prêmio Eusínio Soares de Literatura Brasileira (da qual faz parte como poeta convidado) e Prêmio Waly Salomão. Também foi capista de Jequié - Síntese Histórica e Informativa (2011), de autoria do lexicógrafo Dermival Rios. Obra em que assina as orelhas.  Ainda em Jequié coordenou e apresentou o projeto Feira da Poesia para a Secretaria de Educação e Cultura e foi jurado do I Concurso de Poesia da Casa da Cultura Pacífico Ribeiro - Prêmio Ruy Espinheira Filho.

Além da Poesia, trabalho artístico ao qual mais se dedica, possui contos, romances e uma peça teatral a serem publicados. Atendendo ao convite de José Inácio Vieira de Melo, curador e coordenador da Praça de Cordel e Poesia, participou das duas últimas bienais do Livro da Bahia (2009/2011). Não obstante, nesta última edição, lançou Novamente Poesia, seu esperado livro de estreia. É membro da Academia de Letras de Jequié.







terça-feira, 8 de maio de 2012

A poesia de Raimundo Gadelha e Martha Galrão

Raimundo Gadelha
paraibano, formado em Publicidade e em Jornalismo pela Universidade Federal do Pará, com especialização na Universidade de Sophia, em Tóquio, Japão, onde viveu durante três anos, depois de ter estudado em Nova York. Poeta e fotógrafo, sua obra percorre o romance e a poesia, geralmente associada à Fotografia. Trabalhou durante três anos como editor da Aliança Cultural Brasil-Japão e, em 1994, fundou a Escrituras Editora que já tem em seu catálogo mais de 400 títulos.








Martha Galrão nasceu em Salvador no ano de 1966. Formada em Psicologia, prefere ser  professora e poeta. “Sempre escrevi por uma necessidade, e quando comecei a mostrar a outras pessoas, estas pessoas me contaram que eu escrevia poesia”, diz ela.A poetisa sofreu influência também de escritores famosos como Cecília Meireles, Adélia Prado, Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade e Arnaldo Antunes.Inspirada a escrever tanto em momentos alegres, como em momentos de angustia, ser poeta para Martha é: “Uma pessoa que não agüenta só engolir o mundo, mas necessita com urgência se expressar e admirar a beleza”.


Postal do livro Dez Íntimos Fragmentos do Indecifrável Mistério
de Raimundo Gadelha
Mãe

surpreendo-me com a eternidade

quando distraída repito seu gesto,
tão parecido parece igual
nos traços do rosto
e nas traças do tempo.

Tempo que banha o seu e o meu corpo,
que fez do meu ventre, abrigo,
revolvendo o ponto de partida,
disfarçando-nos em irmãs.

Martha Galrão

sábado, 7 de abril de 2012

O cordelismo de Jotacê Freitas


Nascido em 1964 em Sr do Bom Fim, Jotacê Freitas, como assim ficou conhecido pelos seus cordéis, chega a SSA em 97 para trabalhar na Feira de São Joaquim como fiscal da Prefeitura, em 98 entra na Faculdade de Letras da UFBA, quando sob orientação da Professora Doralice Alcoforado começa a pesquisar a literatura popular. Na sua juventude Jotacê havia publicado versos livres e até escrito um cordel estimulado por uma disputa entre amigos, mas fora ao se tornar bolsista do núcleo de pesquisa em literatura da Universidade que ele passa a valorizar a arte do cordel e se dedicar a sua própria produção. Reconhece que no inicio não tinha respeito a métrica, hoje podendo ser visto como uma inovação, como propôs o cordelista Antônio Vieira com o cordel remoçado, com rimas toantes.
Carregando a marca do seu primeiro encontro com o cordel cantarolado por um cego, por onde o menino de 10 anos passeava com sua mãe, devota de Padre Cícero e admiradora de Lampião que fazia questão de levar um livreto de cordel para casa; Jotacê têm hoje pra mais de 80 cordéis publicados, entre tantos iniciados e ainda presos na sua “caixola”. Com temas diversos, que perpassam por temáticas educativas-instrutivas (O Jumento que entrou na Universidade), políticas, informativos aproveitando uma noticia “da hora”como “A mãe que assou a filha numa boca de fogão”, históricas como “Cuíca de Santo Amaro, o tal poeta desbocado!”, polêmicas como“A baleia que encalhou no dia da parada gay” entre contos infantis e sexuais.
Atualmente Jotacê Freitas se envereda por uma escrita direcionada ao publico infantil. Como professor e palestrante, têm exercitado a prática de ensinar a escrever cordel, o que para ele não têm limite de idade, têm conseguido desenvolver estas oficinas de crianças pré-escolares a idosos. Como literário e também pesquisador do cordel, Jotacê explica o “concerto de rimas, ortopedia métrica e informe de formas "com o próprio cordel, em o “cordel pedagógico”.                  
Nos rumos da poesia marginal, para Jotacê escrever seu cordel é ter liberdade para falar do que quizer, como e quando quizer.


OUVIDO VIROU PENICO NAS CIDADES DA BAHIA!

Meu ouvido né penico
Diz o dito popular
Quando alguém muito irritado
Resolve enfim se queixar
Do barulho promovido
Por outro em qualquer lugar.

A Bahia em geral
Tem produzido barulho
E nossa Lei do Silêncio
Não dá conta do embrulho
Que a Poluição Sonora
Tá virando um entulho.

Começa com as buzinas
Nas vias e cruzamentos
Por pura infantilidade
Buzinam a todo momento
Com pressa ou necessidade
De vender o equipamento.

Outro dia aconteceu
De um barbeiro reclamar
Da buzina em sua porta
Que estava a incomodar
Perguntou se estava à venda
Pois ele iria comprar.

Retado com a pergunta
O dono ameaçou
Ir em casa buscar arma
E em seguida voltou
Entrou na barbearia
E o barbeiro matou.

A barbárie está de volta
As pessoas estressadas
Trabalho engarrafamento
As ruas esburacadas
A gentileza não existe
Até a Paz anda armada.

Vizinhos não se respeitam
Cada qual faz o que quer
O som alto o futebol
A briga com a mulher
Cães latindo papagaios
E demonstrações de fé.

A educação de berço
Algo que antes se tinha
Nas famílias regulares
É coisa que se definha
O bom senso já morreu
A ignorância é rainha.

Sua liberdade finda
Aonde a minha começa
Você quer ouvir som alto
Mas a minha não é essa
Seja em casa ou na rua
Licença por favor peça.

Sabe-se que é ilegal
Mas isso virou mania
Entre jovens e coroas
Aqui em nossa Bahia
O importante é estar
Ouvindo pornofonia.
                           
Isto em todo o estado
Leste Oeste Norte e Sul
Senhor do Bonfim Juazeiro
Alagoinhas Gandu
Barreiras e Itabuna
Em Lençóis e Camamu.

Nos incomodam nos ônibus
Ouvindo no celular
Música no viva-voz
Estridente de lascar
Obrigando a todo mundo
O seu barulho escutar.

Não se pode cochilar
Relaxar o pensamento
Durante toda a viagem
É um verdadeiro tormento
E às vezes há disputas
Entre os filhos de jumento.

Vivem no tempo antigo
Do rádio consola-corno
Pois o fone-de-ouvido
É pra evitar transtorno
Você ouve a sua música
Sem incomodar o entorno.

Mas baiano como dizem
Gosta de aparecer
Quer mostrar o aparelho
Ligado pro outro ver
A potência que ele tem
E o som que lhe dá prazer.

Funk pagode e axé
Até gospel evangélico
Rap exalta marginais
Arrocha e forró elétrico
Jornalistas locutores
São muito maquiavélicos.

‘Empurram’ diariamente
Merda nos alto-falantes
Deixando o povão ‘ligado’
No baixo nível gritante
‘Ou tão mal intencionados
Ou são muito ignorantes’.

A Bahia né só isso
Outros sons por aqui tem
MPB rock’n roll
Samba-de-roda também
Pé-de-serra e instrumental
Mas só tocam o que convém.

Mandam aumentar o som
Ouvir a todo volume
Com violência sonora
Pra escorrer o chorume
Se não gostar de barulho
Você que se acostume.

É carro de cafezinho
Propaganda em bicicleta
O camelô dos CDs
A putaria decreta
A rádio comunitária
Toca música indigesta.

Por isso os motoristas
Instalam um som potente
E como os donos do mundo
Abrem o fundo bem em frente
À casa de qualquer um
Que seja honrado e decente.

E a rua vira um brega
Não importa o horário
Dia noite ou madrugada
Se juntam os voluntários
Periguetes e putões
Nos fazendo de otários.

Ninguém pode reclamar
Pois tem medo de morrer
Com pessoa ignorante
É melhor não se meter
E esperar que a Prefeitura
Possa uma atitude ter.

As leis até que existem
Mas ninguém as faz cumprir
A SUCOM trabalha pouco
Com a equipe pra agir
A Polícia não se mete
O Detran nem tá aí.

E o carnaval continua
Durante todo o ano
Os carros fazem barulho
E os motoristas insanos
Enchem a cara de cervejas
Pra atropelar fulano.

Os psicólogos falam
Que esta exibição
É para ocultar problema
Que eles têm com a ereção
E mostram a sua potência
No carro com o sonzão.

Em frente à minha casa
Um carro desses parou
Pedi pra baixar o som
E o miserável não baixou
Me acocorei no carro
Fiz cocô no seu capô.

Ele se incomodou
Com a atitude que eu tomei
Quis brigar no meio da rua
E eu me justifiquei
Ele caga em meu ouvido
No carro dele eu caguei.

Aqui eu faço um apelo
Não transforme o meu ouvido
Em penico auricular
Não me deixe coagido
Aceite a evolução

Use o fone-de-ouvido.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

A poesia de Lima Trindade

Nascido em Brasília, Distrito Federal, nos agitados anos 60, Lima atualmente reside em Salvador, Bahia. Mestre em Letras pela Universidade do Estado que o acolheu, estuda sistematicamente ao longo dos anos as obras e os contos de autores que mais admira, destacando-se João Silvério Trevisan, Reinaldo Arenas e David Leavitt. Edita mensamente, desde 1999, a revista eletrônica Verbo21. Possui textos publicados em jornais, revistas, suplementos literários e em domínios da internet no Brasil e no exterior.

domingo, 28 de agosto de 2011

A poesia de Igor Fagundes

Igor Fagundes é poeta, jornalista, ator, ensaísta, crítico literário, professor universitário, doutorando e mestre em Poética pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde lecionou Teoria Literária e Fundamentos da Cultura Literária Brasileira. Realiza interdisciplinar de poesia, arte, mito, religião e filosofia. Autor de cinco livros, participa também de diversas antologias poéticas e é colaborador da Academia Brasileira de Letras e do Jornal Literário Rascunho. É detentor de cerca de 60 prêmios em concursos de literatura.

Chamado

como se já te conhecesse, espero-te:
mãos abertas, juntas, a equilibrar
o mar outrora preso na linha da vida
e que agora sobre as palmas se apóia.

como se não te conhecesse, aviso-te:
nele singra este homem com olhos de céu
refletido no corpo-água que a ti oferta
o sal da pele antes muralha.

como se te escrevesse, enfim, em versos
navego-te no ardor de uma palavra
em mar que ontem pensei ser meu apenas

e hoje te inunda para ser a nossa lavra.


terça-feira, 12 de julho de 2011

A poesia de Alexandre Bonafim

ALEXANDRE BONAFIM (Alexandre Bonafim Felizardo) nasceu em Belo Horizonte em 1976. É poeta, ficcionista e crítico literário.
Possui graduação em Licenciatura em Letras pelo Centro Universitário Claretiano de Batatais (2001) e mestrado em Estudos Literários pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (2006). Atualmente é professor colaborardor do Centro Universitário de Franca. Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Literatura Brasileira, atuando principalmente nos seguintes temas: poesia brasileira, literatura brasileira, literatura portuguesa, poesia portuguesa e letras.


Celebração das marés
 III

 Do poema nada nos resta
a não ser essa viagem
rumo aos mares,
esse gosto de naufrágio
ao findar das paixões,

esse astrolábio partido.

A leitura do poema,
peixe cego, barco amputado,
nada nos ensina,
em nada modifica
a força das marés.
 
Rastro de espuma
na pele dos acasos,
o poema finca suas âncoras
no sal, na eternidade,
onde nossas ausências
ardem o grito dos corais.

O poema é nudez precária,
procela sem ventos, sem nuvens.
Quando nele adormecemos,
acordamos com os ossos fraturados,
vergastados pelas maresias.

O poema é tão inútil
quanto o mar ao fim da tarde.

Por isso seu esplendor é límpido

como a beleza da morte.

domingo, 8 de maio de 2011

A poesia de João de Moraes Filho e Elder Oliveira

João de Moraes Filho (21/03/1977) é poeta e gestor cultural, graduado em letras pelo ILUFBA e mestrando em Cultura e Sociedade IHAC/UFBA. Publicou Pedra Retorcida: Fundação Casa de Jorge Amado / Prêmio Braskem de Cultura e Arte 2004; Portuário: Casa de Barro Edições, 2006 e Em nome dos raios: Expressão Editora, 2004. Fundou em Cachoeira a Casa de Barro Cultura Arte Educação. Atualmente dedica-se a investigação das políticas culturais para o livro e leitura no Brasil e Colômbia. Os poemas abaixo integram a seção Chuva Alheia, do livro Uno, ainda em prelo.


Colheita

Regar
os olhos

à flor da pele
sem a gota d’água
desse azul
entardecido.
Qualquer horizonte,
no risco da mão,
avermelha
a tarde despida
em teus braços.
Cada pétala
anoitecida
espinha o cheiro
esvaído
da paixão
desenhada

de gira sol.

ELDER OLIVEIRA nasceu aos 5 de dezembro de 1968 em Poções, Bahia, cidade localizada a 444 km de Salvador. Viveu a infância em Nova Canaã, cidade banhada pelos rios Gongogi e Vigário, situada a 45 km de Poções. Publicou seus primeiros versos em livretos e tablóides impressos na Tipografia Poções Ltda, de propriedade de seu tio Eurycles Macedo, poeta e jornalista autodidata. Reside atualmente em Vitória da Conquista, cidade pólo cultural e econômico da Região Sudoeste de Bahia. Participou de diversas antologias, dentre elas Antologia e Memória do VII Festival de Inverno da Bahia (Corec – 1997); O Pescador de Sonhos (da Academia de Letras de Jequié – 1998); Grandes Escritores da Bahia Vol. III (Litteris Editora – RJ, 2001); Anuário de Escritores 2001 (Litteris Editora – RJ, 2001); Concerto Lírico a Quinze Vozes (Aboio Livre Edições – Salvador – BA, 2004). Publicou os livros Malungos e Vapores & Outros Poemas (Edições UESB – Prêmio Zélia Saldanha, categoria Poesia, 2001) e O Curumim Espião (2008). Além de poeta, Elder Oliveira é músico, com canções em parcerias com importantes nomes do cenário musical do Sudoeste da Bahia.


Álbum cósmico


Pessoas geografitam
No gelo espesso da inconsciência

Noites gravitam instantâneas luas
Sobre vagalumes automáticos

Pássaros desovam os incandescentes
Pigmentos da aurora
Onde

A lírica tristeza da manhã
Nos contempla com seus grandes olhos

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Cordel e Xilogravura com Luiz Natividade

Luiz Natividade é natural  de Junqueiro, Alagoas, nasceu em  07 de maio 1961, filho de Benicio Natividade Costa e Maria Edite Costa. Veio para a Bahia para estudar e por aqui ficou. Teve uma infância feliz no Sítio Vazia de Cima, onde morou até os 6 anos de idade, vendo as festas populares, como Guerreiro, Diana, Chegança e Reisado. Depois seu pai transferiu a família para a cidade de Junqueiro, Alagoas,  em 1966. Aprendeu com o tio, a fazer suas primeiras cordas de palha de coqueiro e colher da pau. Passava suas tardes na carpintaria do mestre Manoel Marques, homem de inteligência brilhante, Mestre de obras, Carpinteiro, incentivador da cultura popular na Cidade. Cresceu vendo sua Mãe riscando, desenhando, costurando e bordando  roupinhas de bebê. Isso contribuiu para sua formação de desenhista. Iniciou seus estudos na Cidade de Junqueiro.   ABC na escola RURAL; depois no  Padre Aurélio Góis;  e a seguir no  Ginásio Nossa Senhora  Divina Pastora. Em 1980 muda-se para Salvador, onde completou seus estudos. Formado em Artes Plásticas, pela  UFBA  (Universidade Federal da Bahia), Escola de Belas Artes, em 1993. Realizou mais de 50 exposições nos seus 30 anos de arte. Sua primeira foi na cidade de Castro Alves, BA, em 1985  a convite do artista plástico Balbino Azevedo; a segunda, na sua cidade Natal, Junqueiro, AL, em 1985. Idealizador do projeto Natividade de Xilogravura, levando essa arte milenar aos quatro canto do Brasil, fazendo cursos, oficinas e palestras de xilogravuras. Tornou-se empreendedor individual em 2010 com literatura e cordel, trazendo a Mini Literatura de Cordel e o manual de xilogravura. Poeta, desenhista,  pintor, xilogravador e escritor, já escreveu os cordéis Marieta que eu vi viver, O homem da mesa, Manual de Xilogravura - uma idéia feita a mão, O orgulhoso que tropeçou na sorte, O Mendigo que virou Senador, Junqueiro minha vida  e vários outros.

Mantém o blog www.natividadexilo.blogspot.com, onde divulga seus trabalhos.


segunda-feira, 14 de março de 2011

A poesia de Salgado Maranhão

Salgado Maranhão é poeta e letrista de MPB. Consolidou sua carreira nos últimos 20 anos.Vencedor do Prêmio Jabuti de 1999, com o livro "Mural de ventos", um dos sete títulos editados, também é o vencedor do prêmio Olavo Bilac de 2011 – prêmio concedido pela Academia Brasileira de Letras (ABL).
Salgado Maranhão nasceu em Caxias, interior do Maranhão e vive no Rio de Janeiro onde fez laços.
O livro que marcou sua inserção na poesia carioca é Ebulição da escrivatura, publicada pela Civilização Brasileira, em 1978, uma antologia organizada por ele, em parceria com Antonio Carlos Miguel e Sergio Natureza.
O universo poético de Salgado Maranhão despertou interesse de estudiosos no Brasil e no exterior. Sua obra foi traduzida para diversos idiomas.
Seu livro "A cor da palavra", publicado pela IMAGO, em 2009 é o "resultado da obstinação pela palavra de múltiplas arestas" de que nos falará o poeta Salgado Maranhão.


 
Laborárduo

Meus olhos exilaram-me
na planície das palavras.

E luto com elas no breu
como um louco
que adestrasse nuvens;

_ como o outono a depenar-se.

Ainda que no desconcerto

ante as coisas que pedem silêncio.



A poesia de Salgado Maranhão por Salgado Maranhão
Salgado Maranhão: Minha poética gravita na borda da língua, nesse equilíbrio delicado em que um passo para trás é o lugar comum e um passo para frente é o ininteligível. É lógico que isto não é apenas uma atitude deliberada e racional. É um temperamento, um gostar de ser, é como se eu desejasse abrir um caminho novo na língua. Devo dizer que quando chega o poema, é uma verdadeira possessão de palavras em meus sentidos, chego a pensar que estou ficando louco. E estou: louco de luz. Depois desse momento de epifania, eu volto a retrabalhar o poema, infinitas vezes, para esgarçar ao máximo as possibilidades da palavra.
A poesia nos resgata uma voz inconsciente que fomos perdendo, aos poucos, depois da idade pré-natal. Trata-se de uma linguagem aberta, sinuosa, prenhe de significantes e irresponsável, como o discurso das crianças. A necessidade de nos ajustarmos ao mundo e às suas normas arbitrárias, em troca de afirmação e sobrevivência material, vai secando a poesia do nosso coração. Uma pessoa comum, que funcione como a maioria, do estômago para baixo, até reconhece o vigor impactante dessa forma de expressão, mas teme se comprometer com essa insanidade sã. Poeta é quem tem no DNA a doença incurável do mistério. É aquele para quem as palavras tiram a roupa e se entregam sem reserva. E não é para quem quer e nem é uma questão de privilégio, mas de destino, é mais uma questão de não saber ser de outro jeito.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

A poesia de Myriam Fraga

Myriam Fraga (Salvador, (9 de novembro de 1937) é uma poeta e escritora brasileira.
Começou a escrever no fim da década de 1950, publicando seus primeiros poemas em jornais e revistas. Seu primeiro livro foi publicado em 1964, pela editora Macunaíma, de Glauber Rocha.
Tem 20 livros publicados, entre poesia e prosa. Pertence à Academia de Letras da Bahia e ao Conselho de Cultura do Estado. Participou de várias Antologias no Brasil e exterior, tendo poemas traduzidos para o inglês, francês e alemão. Entre suas recentes publicações: Sesmaria e Femina (poesia), Jorge Amado, Castro Alves, Luis Gama e Carybé (literatura infantil), Leonídia – a musa infeliz do poeta Castro Alves (biografia). É diretora da Casa de Jorge Amado, em Salvador, Bahia, Brasil.

Retórica

Quem dirá o que é o mal
E o que é o bem
Se todas as coisas se tocam
E se devoram
— Alfa Ômega —
E no final
É a mesma terra suja
De ninguém?

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

A poesia de Astrid Cabral

ASTRID CABRAL FÉLIX DE SOUSA nasceu a 25/09/36 em Manaus, AM, onde fez os primeiros estudos e integrou o movimento renovador Clube da Madrugada. Adolescente ainda transferiu-se para o Rio de Janeiro, diplomando-se em Letras Neolatinas na atual UFRJ, e mais tarde como professora de inglês pelo IBEU. Lecionou língua e literatura no ensino médio e na Universidade de Brasília, onde integrou a primeira turma de docentes saindo em 1965 em conseqüência do golpe militar. Em 1968 ingressou por concurso no Itamaraty, tendo servido como Oficial de Chancelaria em Brasília, Beirute, Rio e Chicago. Com a anistia, em 1988 foi reintegrada à UnB. Ao longo de sua vida profissional desempenhou os mais variados trabalhos, fora e dentro da área cultural. Detentora de importantes prêmios, participa de numerosas antologias no Brasil e no exterior. Colabora com assiduidade em jornais e revistas especializadas. Viúva do poeta Afonso Félix de Sousa, é mãe de cinco filhos.

Obra poética:

Ponto de cruz. Cátedra, Rio de Janeiro, 1979.
Torna-viagem. Pirata, Recife, 1981.
Lição de Alice. Philobiblion, Rio de Janeiro, 1986.
Visgo da terra. Edição Puxirum, Manaus, 1986.
Rês desgarrada. Thesaurus, Brasília, 1994.
De déu em déu. Sette Letras/Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro, 1998.
Intramuros. Secretaria de Cultura do Paraná, Curitiba, 1998

Rasos d’água. Secretaria de Cultura do Amazonas/Valer, Manaus, 2003.


Herança

Bênçãos e maldições vem de, bem longe
embaladas em ovos, sangue e esperma
em arquivos que jazem sob a terra
lacrados chaves já perdidas no ontem.
Os vivos farejamos crus mistérios

e giramos perguntas parafusos
que mal roçam a cútis dos arcanos:
o olhar terá nascido no jurássico?
o tom de tez e voz será adâmico?
de quem decorre esta imprevista
herança
de sermos o que, bem ou mal nós
somos?
Família, amor, jogo de sexo e espelhos
por onde assim perplexos nos lançamos
ou, dizendo melhor, lançados fomos.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

A poesia de Helena Ortiz

Helena Ortiz é gaúcha de Pelotas, radicada no Rio de Janeiro. Publicou os livros de poesia Pedaço de Mim (1995), Azul e sem Sapatos (1997), Margaridas (1997), Em Par (2001) e Sol sobre o Dilúvio (2005), além de O silêncio das xícaras (2009), de contos. Organizou a antologia poética Sete Vozes, dirige a Editora da Palavra e edita o jornal Panorama da Palvra. Esse também era o nome do evento de poesia, dirigido por ela, que contou com a participação de aproximadamente 400 escritores durante cinco anos.

Mantém o blog http://www.integradaemarginal.blogspot.com/


Arrumando o quarto

hoje mexi em tuas coisas
em tuas mínimas coisas
em teus pequenos vestidos
tuas sandalinhas
em pedaços de coisas
que ganhavam vida em tuas mãos
ouvi teus passos curtos
te reencontrei em gavetas fechadas
armários intocados
brinquedos mudos
chorei entre tuas roupas
e precisei me dizer
para não naufragar
não mexe aí, mamãe

Motivo

Eu canto porque o instante existe

e a minha vida está completa.

Não sou alegre nem sou triste:

sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,

não sinto gozo nem tormento.

Atravesso noites e dias

no vento.

Se desmorono ou se edifico,

se permaneço ou me desfaço,

— não sei, não sei. Não sei se fico

ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.

Tem sangue eterno a asa ritmada.

E um dia sei que estarei mudo:

— mais nada.

Cecília Meireles